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Realmente é preciso mudar?

Um sem número de autores e profissionais alardeiam aos quatro ventos a eterna necessidade de mudança por parte das organizações.

Muitos afirmam que o grau de competitividade deve ser observado através da capacidade inovadora da organização com base em diversos critérios. Alguns destes critérios até viraram modismos crônicos e provocaram maus bocados para quem os seguia sem refutar nada.

Pois aqueles que costumam basear as suas atitudes gerenciais em torno de critérios sem fundamentação acabam pagando o preço (alto) de crer em bases sofistas.

Que o mundo está mudando ninguém duvida. Mudam sempre as necessidades e as expectativas. E muitas vezes muda pela forma como acha que muda. Mudando, sem critérios definidos, com base naquilo que ouve ou simplesmente acha que é o correto.

Ao longo dos estudos desenvolvidos por cientistas da administração, o que sempre foi revelado é que cada teoria, pesquisa ou paradigma será diferente a cada contexto. O grande problema é que, muitas vezes, este fato é esquecido e a adoção de novas idéias com visão rigidamente míope provoca estragos, desperdício de recursos e abalo sobre as expectativas pessoais.

Se os parâmetros delineados para a visualização de uma necessidade de mudança estão no mercado de uma forma geral, principalmente nos clientes e nos concorrentes, estes mesmos parâmetros não escapam das necessidades de manter a busca pela sobrevivência e pela crescente expansão da organização.

Por isso é importante estabelecer a diferença entre o desenvolvimento e o crescimento.

O desenvolvimento pode conceituado como a capacidade de ser competente para atender cada vez melhor as necessidades e expectativas dos grupos de stakeholders que compõem a organização, passa pela busca incessante da competitividade, do espaço estratégico e de referenciais para ser atingido.

O crescimento é estrutural, ocorre através de insumos e recursos, podendo ser, inclusive, gerador de problemas de ordem estratégica na busca pela eficácia organizacional.

É obvio que em dias de eterna preocupação com os custos, o crescimento deve ser fundamentado na eficiência, para obter o desenvolvimento, que é a eficácia.

Uma empresa precisa mudar para se desenvolver, e só crescer se realmente for necessário e importante.

O desenvolvimento é a manutenção da busca pela sobrevivência, aproveitando cada oportunidade do mercado, enxergando não apenas uma, mas todas as cinco forças competitivas, do estabelecimento dos poderes de barganha, aos substitutos e entrantes, passando pela análise criteriosa sobre a rivalidade entre os concorrentes, seus pontos fortes e fracos, bem como as ameaças.

É o uso de referenciais mercadológicos que permite a empresa buscar as suas mais importantes competências e o aumento de sua participação no mercado.

A principal base para estas referências é a informação. Não somente a externa, mas a necessidade da eterna busca pela sobrevivência e expansão torna essencial ao gestor olhar para dentro de sua organização e ver o que pode ser feito para atingir seus resultados.

Por isso as pessoas são tão importantes nestes processos de desenvolvimento.

E assim, ao invés de se perguntar “como posso aplicar este ou aquele conceito em minha empresa?”, deve, sim, procurar e encontrar formas de garantir a sobrevivência e expansão, podendo até usar o novo conhecimento adquirido.

É a capacidade de questionamento quem acende a necessidade da informação, buscando na solução dos problemas os fatores de competitividade, não só através especificação clara dos resultados desejados, mas também da definição das diretrizes corretas e da alocação dos recursos com a máxima responsabilidade.

Fazendo o uso correto da informação as organizações se adaptarão aos impactos das transformações exigidas pela dinâmica do mundo globalizado, cujo cenário apresenta a necessidade das pessoas e organizações se adequarem aos novos paradigmas para que permaneçam no mercado.

Não é apenas mudar simplesmente, mas mudar com critérios estabelecidos em linhas de pensamento. Não é tentar encontrar ou criar fórmulas, mas entender os ambientes de tarefa envolvidos e promover as inovações importantes.

Mudar observando a cultura e a importância da gestão estratégica sobre as pessoas dentro de cada contexto. Mudar, observando os objetivos de desempenho estratégico. Mudar observando o grau de motivação e comprometimento dos grupos. Mudar observando e renovando valores, reafirmando os mais importantes e alterando os necessários. Mudar, sim. Mas, com uma referência competitiva.

Os principais gestores de cada grupo devem ter em mente a importância das perguntas e das resistências não reacionárias, mas as formadoras de opinião.

A mudança, se for necessária, deve buscar obter o completo alinhamento dos objetivos estratégicos, da missão da empresa e as necessidades de seus grupos de stakeholders.

Tudo isso para quando a mudança for efetuada, possuir força suficiente para estabelecer uma competência, nova ou reformulada, mas que pode se transformar em essencial para o desempenho estratégico.

A principal mudança deve ser para uma nova atitude, que precisa ser criada nestes cenários de competitividade crescente: a capacidade de questionar sobre os resultados esperados e os encontrados. Pois a alteração de cada um pode oferecer soluções criativas e mobilizar novos recursos para encontrar sinergia, e isso envolve diretamente as pessoas e suas competências.

É a criação de referências que possibilita a observação, e ação, não só da necessidade de mudança, como da intensidade desta para transformar em melhoria o passado e a história.

Portanto, a busca pelo desenvolvimento passa por pensar e fazer pensar com parâmetros definidos, não na adaptação pura de teorias, criando sofismas, mas na correta solução das lacunas para a sobrevivência e expansão.

Isto atribui importância vital ao conhecimento. Não só a sua obtenção, mas o seu uso crítico, observando a importância de sua contribuição para desenvolver a eficácia necessária.

E hoje, neste insano processo de mudança corrente, aquele que erra ao obter ou usar o conhecimento, sem critérios, sem críticas, sem questionamentos, corre o risco de estar na caverna, dita por Sócrates em sua alegoria, seja como prisioneiro de sua ignorância ou como o liberto, tido como mentecapto, ao anunciar a boa nova aos demais.
Edson Gil
Administrador profissional formado pela Universidade Federal de Pernambuco.
Há 10 anos, é Consultor de empresas em Estratégia Empresarial e Gerência Competitiva, tendo realizado consultorias para mais de 90 empresas.
É Palestrante com mais de 150 palestras realizadas por ano.
Site: www.edsongil.com.br
Fale com o autor: contato@edsongil.com.br

Esta coluna é quinzenal e os artigos são gentilmente cedidos pelo autor.

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