SER OU NÃO SER
EMPREENDEDOR? EIS A QUESTÃO
Muitas pessoas acreditam
que, para ser empreendedor, basta ter uma boa idéia e
abrir uma empresa ou negócio. Mas será mesmo tão simples
assim?
Segundo o dicionário,
empreender é realizar, pôr em execução. Não se trata
necessariamente de abrir um negócio, mas ter iniciativa,
capacidade executiva e coragem. Por isso é que,
normalmente, imaginamos o empreendedor como uma pessoa
inovadora, criativa e determinada a realizar objetivos.
Empreender é com a gente
mesmo! O povo brasileiro é reconhecido como um dos mais
empreendedores do mundo, e uma coisa que certamente
contribui para isso é nossa criatividade. Temos
facilidade em ver oportunidades de negócios – tanto é
que não nos faltam histórias de pessoas que criam
diferencial em produtos commodities. No Brasil, taxista
serve bebidas, tem jornal e geladeira dentro do carro.
Camelô que faz sucesso com sua barraca vira palestrante
e fala para grandes empresários. Estilista faz bolsa e
vestidos com latas de refrigerante e exporta suas
criações.
Porém, não basta ter
criatividade. Não basta também sonhar e ser motivado,
outros traços marcantes do brasileiro. É preciso ter
capacidade de planejamento, estratégia e visão de
negócios. E nesses aspectos é que o nosso
empreendedorismo natural peca.
Não é à toa que tantas
iniciativas de negócios, apesar de muito criativas,
acabam não se consolidando por aqui. É bem verdade que a
burocracia e a tributação excessiva dificultam a missão
de abrir – e mais ainda de manter – uma empresa
legalmente constituída. Mas isso não é justificativa
para uma iniciativa não dar certo. Aliás, para o
empreendedor que tem convicção e está disposto a
batalhar por seu sonho, essas dificuldades são apenas
mais um obstáculo a ser superado. O verdadeiro
empreendedor não procura desculpas nem culpados para as
suas dificuldades. Segue em frente, sabendo o que tem de
fazer.
Agora, para saber o que
tem de fazer, ele precisa de um plano de ação. Precisa
determinar com clareza o objetivo que deseja alcançar e
desenhar um roteiro para chegar lá. Deve conhecer a
realidade do mercado em que pretende atuar e de seus
concorrentes. Tem de definir todas as ações que fazem
parte do roteiro e segui-las com determinação, mas
também com jogo de cintura para contornar as
dificuldades que surgem no meio do caminho.
Enquanto os candidatos a
empreendedores acreditarem que basta ter um sonho ou uma
sacada criativa para um negócio, seu projeto ficará no
ar. É preciso botar os pés no chão para materializar o
sonho, e para isso existe o plano de ação. Depois, é
seguir o caminho traçado com motivação, fé e convicção.
Como diria um amigo meu,
o impossível é o impensável: se algo foi pensado, pode
ser realizado. A esse pensamento, acrescento mais um: o
sonho, no empreendedorismo, é a idéia a partir da qual
se consegue fazer um planejamento estratégico e um plano
de negócios. O que não é planejável é fantasia, e essa
nem papel aceita... |