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Diversidade e Conflito,
os temperos do Trabalho em Equipe
O que é melhor para o líder de uma equipe de trabalho:
que seus integrantes se entendam tão bem que quase se
comunicam por telepatia ou que tenham idéias e atitudes
muito diferentes, gerando conflitos de pontos de vista?
Se você preferiu a primeira alternativa, sou obrigada a
discordar da sua opinião. Acredito que uma equipe
harmoniosa, em que todos adoram trabalhar juntos e se
entendem maravilhosamente, pode até produzir um ambiente
muito agradável. Porém, isso não é garantia de que as
iniciativas que ela toma ou as soluções que encontra
para os problemas sejam as mais inovadoras.
Muitos líderes enxergam o conflito como algo
indesejável, uma erva daninha que precisa ser a todo
custo combatida, quando na verdade ele é o combustível
da criatividade e da quebra de paradigmas. Não falo do
conflito agudo que coloca a equipe em pé de guerra, mas
daquele que surge do questionamento de idéias e do
debate de opiniões. Será que existe algo mais saudável
para o trabalho em equipe do que uma boa discussão, em
que pontos de vista divergentes são colocados e
criticamente analisados?
É no calor do conflito que, muitas vezes, surgem idéias
que quebram paradigmas. Afinal, se elas não fossem
ousadas e inovadoras, não provocariam resistências nem
discussões. E para que as discussões aconteçam, é
preciso valorizar a diversidade de tipos humanos que
compõem as equipes, pois cada um tem o seu papel e todos
os papéis são importantes.
Todo grupo tem aquele integrante que fala mais que os
outros. Nas reuniões, ele contribui com muita informação
e idéias, algumas até estapafúrdias, mas não se inibe em
falar tudo o que lhe vem à cabeça. Muitas idéias do
falante são criticadas pelo objetivo, aquele que não
brinca em serviço e não perde o foco. Enquanto o
objetivo e o falante polemizam, o metódico tenta pôr uma
ordem no trabalho da equipe e avaliar todas as
sugestões, pois só com uma boa análise se pode decidir o
que é válido e o que pode ser descartado. Então o
apressado começa a pressionar o grupo para ser mais
produtivo, pois pelo andar da carruagem o prazo para
concluir o projeto irá estourar. Vem o cauteloso
criticar o apressado, dizendo que ninguém encontra boas
soluções sem ponderar muito bem os prós e contras de
cada idéia. O questionador pede a palavra e coloca com
muita clareza o que pensa, mesmo que isso signifique
criticar a conduta ou as idéias dos colegas. O debate
esquenta e o líder tem de atacar de conciliador, pois
ninguém está se entendendo e o grupo precisa chegar a um
consenso...
E assim transcorre o autêntico trabalho em equipe, que
chega a ser tumultuado às vezes, mas é tão fértil em
idéias, em análises, em questionamentos! Se o líder vê
esses conflitos como conseqüência natural da diversidade
do grupo e sabe tirar proveito dela, tem tudo para
conduzir sua equipe aos melhores resultados. Afinal, no
meio de um debate, quando menos se espera, alguém pode
ter o grande insight que encerra as discussões e deixa
todos satisfeitos. Por outro lado, se o líder fica muito
preocupado em manter a harmonia do grupo e não permite
que as pessoas conflitem, todos são induzidos a
concordar uns com os outros e reprimem opiniões
valiosas. A reunião fica muito fluída e cheia de
gentilezas, mas pobre em discussões e idéias que quebram
paradigmas.
Nesse mundo de quase 7 bilhões de pessoas, não há um só
ser humano igual a outro. Ninguém é igual a você! A
diversidade de comportamentos, visões de mundo, idéias,
experiência e atitudes é que faz o planeta ser tão cheio
de possibilidades. Compreender esse fato e ser capaz de
lidar com ele é uma das coisas que fazem diferença numa
equipe, numa empresa, num negócio ou mesmo numa carreira
individual, proporcionando a sementeira para as idéias
inovadoras que movimentam o mundo.
Cada vez mais, a habilidade de relacionamento na
diversidade é necessária e precisa ser valorizada, a
começar pelos líderes. Graças a ela, falantes e
objetivos, metódicos e apressados, questionadores,
conciliadores e outros tantos tipos humanos que
encontramos por aí podem trabalhar juntos, contribuindo
com suas opiniões e defendendo seus pontos de vista. E
mesmo que eles torçam o nariz uns para os outros
enquanto debatem idéias, tudo bem: no final do trabalho,
é bem provável que cheguem a um consenso – e aí vão
todos comemorar seu sucesso com um happy-hour depois do
expediente. Afinal, numa equipe como essa, todos
conhecem e praticam o lema da diversidade: "O fato de eu
não aceitar a sua idéia não significa que eu não aceito
você". |
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