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O Que Não Estou
Enxergando?
Tenho tido uma grata surpresa em meus contatos com
várias empresas nos últimos tempos. Presidentes,
Diretores de empresas de grande sucesso, com
rentabilidade acima do esperado, com produtos líderes no
mercado, têm me procurado para perguntar: "- O que não
estou enxergando?" "- O que não estamos conseguindo ver
a respeito do futuro?". Dizem ainda: “ – Não posso
acreditar que todos estejam com dificuldades, problemas,
mercados difíceis e nós sejamos os únicos no paraíso. O
que não estamos enxergando?”
Essas perguntas, por incrível que possa parecer, são
muito pertinentes, pois o sucesso hoje não garante o
sucesso amanhã e uma empresa que não questione o que vem
fazendo com uma visão de futuro poderá correr, amanhã,
sérios riscos.
Empresas de sucesso hoje podem e devem fazer exercícios
de "visão de futuro" e precisam estar permanentemente
atentas para um mercado cada vez mais em mutação e para
clientes cada vez menos fiéis e mais exigentes. Temos
que perguntar, por exemplo, o que a tecnologia da
informação tem a ver com nosso negócio e como poderá
modificá-lo ou influenciá-lo. Temos que perguntar como
novas descobertas científicas e tecnológicas, novas
formas de distribuição, novas formas de logística
integrada e comunicação eletrônica de dados poderão
afetar o nosso negócio hoje e amanhã. Se continuarmos a
fazer as coisas como sempre fizemos, conseguiremos os
mesmos resultados que vimos conseguindo. E eles poderão
não ser suficientes para garantir a nossa sobrevivência.
A verdade hoje é que “em time que está ganhando também
se mexe" porque não se pode esperar que ele comece a
perder para tomarmos as necessárias medidas para colocar
nossa empresa entre as vencedoras. Assim, uma das
grandes e mais importantes tarefas dos executivos (e não
só executivos mas de toda a empresa) hoje é PENSAR,
REFLETIR, IMAGINAR, CRIAR, PROPOR, OUSAR, QUESTIONAR a
própria empresa preparando-a não só para vencer o
presente mas garantir o futuro.
Talvez, o que muitos empresários e administradores
realmente não estejam enxergando é que a empresa que
ficar parada, estática, acomodada, satisfeita com os
produtos, com o mercado e com os clientes que tem hoje,
estará com os seus dias contados.
Temos feito com inúmeras empresas, já há muitos anos,
Exercícios de Visioning, Focusing e Targeting – Visão,
Foco e Ação – quando os dirigentes principais da empresa
fazem uma série de exercícios sobre o futuro do mercado,
da tecnologia, das vantagens competitivas estratégicas
que poderão garantir o futuro da empresa. Perguntas do
tipo: Que clientes você estará servindo daqui a cinco
anos? Quem serão esses clientes? Quem e o quê estará
concorrendo com você daqui a cinco anos? O que a ciência
ou a tecnologia estarão nos oferecendo daqui a 5 anos e
que poderá modificar nossa manufatura ou serviços? Que
novos conceitos de produtos deveremos lançar daqui a
cinco anos? Que novas competências de organização
teremos que desenvolver? Etc. etc.
Essas perguntas nem sempre são feitas e menos ainda
respondidas.
Com a necessidade de resultados trimestrais e lucros
imediatos, os dirigentes estão quase sempre olhando para
o próprio umbigo, para o amanhã cedo e nem sequer para o
depois de amanhã. Eles têm que dar retorno aos
acionistas o mais rapidamente possível e nem sempre
estão construindo a empresa do futuro. Uma política de
bônus individuais leva gerentes e diretores a ter uma
visão predatória do mercado e da marca. Eles não têm
certeza de que estarão na empresa daqui a dois ou três
meses e a sua visão fica sendo exclusivamente a do curto
prazo da avaliação do seu bônus. O futuro fica
pertencendo ao próprio futuro que se incumbirá de
fazer-se sucesso, se conseguir. “ – Eu não estou aqui
para deixar nada para o próximo. Estou aqui para ganhar
o meu. E o meu eu ganho dando resultados imediatos. Não
quero nem saber o que acontecerá daqui a cinco anos com
a nossa empresa ou nossa marca. O meu negócio é o meu
bônus. É o retorno trimestral do acionista. O resto é
filosofia.” Afirmou um diretor de uma grande empresa.
Numa das empresas em que fizemos esse exercício de
planejamento, verificamos que a concorrência estava
construindo uma nova planta e que essa nova fábrica iria
produzir duas vezes mais que a de nosso cliente, na
metade do tempo, com um terço do custo e com qualidade
muito superior. E que iria colocar o produto no mercado
30% mais barato que nosso cliente. Era simplesmente isso
que nosso cliente – uma empresa líder de mercado há anos
– não estava enxergando. Quando essa realidade foi
mostrada e constatada bateu o “desespero”. Um ano depois
a empresa concorrente já estava no mercado com o produto
35% mais barato e melhor. Nosso cliente perdeu a
liderança, perdeu representantes, foi acusada de
incompetente. O presidente foi demitido juntamente com
toda a diretoria pela matriz no exterior. Os dez anos de
liderança absoluta de mercado e os lucros crescentes
desse período não serviram para garantir sequer o
emprego do presidente. Ele não enxergou que o sucesso
hoje não garante o sucesso amanhã.
Num outro exercício, com outro cliente, outra empresa
líder há anos, o que eles não estavam enxergando é que a
tecnologia que eles utilizavam estava sendo rapidamente
substituída por outra – mais moderna, ecologicamente
correta, mais barata. Eles acreditavam que essa “nova
tecnologia” demoraria décadas para chegar ao Brasil. Não
entenderam a dinâmica do mundo atual, da velocidade da
informação e da transferência de tecnologia. Os
concorrentes enxergaram isso tudo. Fizeram as mudanças e
adaptações rapidamente. Quando o mercado exigiu os novos
produtos e os novos processos a concorrência estava
pronta e o nosso cliente ainda discutindo, discutindo,
discutindo....
O que você não está enxergando? O que o seu pessoal não
está vendo? Será que não estamos muito acomodados no
nosso sucesso atual? Será que nós não estamos nos
enganando a nós próprios fingindo não ver o óbvio que
não queremos enxergar?
Pense nisso. |
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Luiz
Marins
é
empresário nas áreas de consultoria, agribusiness,
comunicação e marketing e turismo. Através da
Anthropos Consulting - fundada em 1984 - presta
consultoria às maiores empresas brasileiras. Seus
livros são best-sellers desde 1985 e suas fitas de
vídeo nas áreas de gestão empresarial estão entre
as mais vendidas do Brasil.
Site:
www.anthropos.com.br
Fale com o autor:
professor@marins.com.br
Esta coluna é quinzenal e os artigos são
gentilmente cedidos pelo autor. |
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