Para vencer os
desafios da competitividade globalizada, uma empresa só
pode ter em seus quadros pessoas excelentes, com
obsessão pela qualidade, obsessão pela excelência. Não
dá para vencer com pessoas "mais-ou-menos".
E nós, brasileiros,
temos um grande defeito. Somos excessivamente
complacentes com pessoas que não são excelentes. Somos
excessivamente complacentes com quem não agrega valores
à nossa empresa. Somos "bonzinhos" e complacentes demais
com pessoas que não querem vencer, que não querem
crescer, que não querem se desenvolver pessoal e
profissionalmente.
E assim, nossas
empresas estão cheias de pessoas pouco excelentes. E
nada ou pouco fazemos para nos livrar delas. Ouço com
freqüência, empresários, diretores, gerentes,
supervisores que me dizem: " – Minha telefonista é um
horror!" . E eu respondo: " – Mas ela continua
lá?" E sempre vem uma resposta do tipo: " – Ela
começou comigo faz muitos anos..." ou ainda " –
Ela tem cinco filhos, mora longe..." ou ainda pior
" – Foi um vereador amigo meu quem a indicou...".
E assim vamos mantendo pessoas de baixa qualidade em
nossa empresa! É o vendedor ruim – que não vende e ainda
fala mal de nossa empresa. É a balconista mal educada
que trata mal nossos clientes. É o motorista desleixado
que não cuida do veículo e ainda reclama o tempo todo,
etc. etc..
É claro que temos que
tentar elevar as pessoas, treiná-las, fazê-las ver a sua
responsabilidade com a empresa. Mas não podemos passar a
vida inteira carregando pessoas incompetentes em nossa
empresa. Quem mantém pessoas de baixa qualidade na
empresa está fazendo cortesia com o emprego dos outros.
Não será somente aquela pessoa quem perderá o emprego.
Todos perderão porque com pessoas pouco excelentes, com
certeza, a empresa não sobreviverá nestes tempos de
competição brutal no mercado.
A complacência com
quem não é excelente é um mal que tem trazido
conseqüências danosas para as empresas. E muitas vezes,
somos complacentes com a baixa qualidade das pessoas por
pura preguiça. Preguiça de recrutar e selecionar uma
nova pessoa. Preguiça de treinar; preguiça de corrigir
comportamentos e atitudes. E a verdade é que quase
sempre essa preguiça vem disfarçada de comentários do
tipo: " – Não adianta trocar de pessoa – hoje ninguém
presta mesmo!" ou ainda " – Só vamos trocar de
defeitos. Esta tem um defeito, a outra tem outros e tudo
acaba na mesma..." . E assim, vamos ficando com
pessoas incompetentes e de baixa qualidade em nossa
empresa.
É preciso acabar com o
conformismo da complacência aos que não são excelentes.
É preciso treinar, treinar e treinar. É preciso exigir
comportamentos de alta qualidade. É preciso exigir de
nossos colaboradores a atenção aos detalhes e o
follow-up que farão a diferença para nossos
clientes. E quando percebermos que alguém em nosso grupo
não está disposto ou disponível para empreender a
mudança para a qualidade e para a excelência, devemos
simplesmente dispensar esse colaborador ou colaboradora.
Sei que recrutar e
selecionar pessoas excelentes é uma tarefa penosa,
demorada, exige comprometimento, busca, contatos, tempo.
Sei que pessoas excelentes são mais exigentes e exigirão
de nós melhor tratamento, melhores condições de
trabalho, etc. Mas, acredite, não nos resta alternativa.
Ou temos conosco pessoas excelentes ou morreremos como
empresa, mais cedo ou mais tarde.
A complacência é,
portanto, fatal. Quando perceber a desídia, a falta de
comprometimento, o descaso, o descuido dos detalhes, a
falta de compromisso em terminar as tarefas iniciadas, o
dirigente deve imediatamente chamar a atenção e exigir
de seus subordinados a excelência. O dirigente
empresarial, hoje, não pode aceitar e ficar inerte
frente a situações que comprometam o futuro da empresa,
da marca, do negócio. A complacência com a baixa
qualidade e qualificação de nossos colaboradores
significará aceitar a derrota por antecipação. E para
derrotados nenhuma explicação salva, nenhuma desculpa
compensa, nenhuma complacência justifica.