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COMPROMETIMENTO
Trata-se da
competência mais procurada pelas empresas e a de maior
complexidade. Considero-a assim, porque está diretamente
ligado a valores pessoais, modelo mental. Nossa!!!
Complicado, né? Mas vou tentar explicar de forma mais
interessante para você, tendo como base um exercício de
reflexão.
Pense nos valores que lhe foram ensinados na
infância. São esses que norteiam nossa forma de
pensamento, a nossa vida. Se o mundo nos foi apresentado
como algo ameaçador, com cobras e lagartos, em alguns
casos, acaba formando adultos inseguros, sentindo-se
ameaçados, permanecendo sempre na defensiva, sentindo-se
pequenos diante deste “grande monstro” que é o mundo,
faltando-lhe forças para enfrentá-lo. Para lutar contra
esse monstro, são necessárias armas poderosas escondidas
e que ninguém pode saber, passando a desconfiar de tudo
e todos ( vão fazer comigo o que eu faria…). Tudo isso
para sobreviver e não desfrutar do que vivemos.
Com algumas exceções, esses ensinamentos são
transformados e percebidos como parcialmente irreais,
mas isso exige muito esforço para lutar contra os
ensinamentos tão enraizados em nossa mente, colocando em
conflitos os primeiros ensinamentos e os novos
aprendizados.
Sabe quando a criança escuta desde pequena que
ela é a “ovelha negra” da família? Quando adulta, não se
sente segura diante das suas qualidades, habilidades,
mesmo porque desde pequena foi considerada fora do
contexto. E é essa pessoa adulta que busca
constantemente agradar os outros na busca do
reconhecimento e envolvimento social.
É impressionante como tenho encontrado, nos meus
trabalhos, pessoas inseguras, perdidas, querendo chamar
a atenção, arrogantes, infelizes e com conflitos
pessoais pesados entre o ser e o parecer.
O homem pode ser considerado como sendo reflexo
da própria mente e vive num cenário onde o parecer
é mais importante do que o ser. Outro dia, uma
pessoa disse assim para mim: “Maria Inês, mesmo não
sendo...........é importante parecer que
é...............”. Não é um absurdo?! Certamente, você
conhece muitas pessoas assim.
Ignorar o ser não significa eliminá-lo ou
superá-lo. Tal situação - cada vez mais -coloca a pessoa
em situações embaraçosas, muitas vezes, posso dizer,
insustentáveis, colocando-a em conflito pessoal e
relacional.
Como poderei comprometer-me com o outro se
abandono a mim mesmo? Como as empresas podem querer
comprometimento dos colaboradores se elas negligenciam a
própria conduta humana. Muitas vezes, praticam a frase:
“ Quem não se sujeita, não se ajeita!”. Desconsideram os
valores pessoais, as formas de pensamento, o
reconhecimento das habilidades pessoais, as crenças e os
valores.
Tenho trabalhado muito nas empresas com resgate
dos valores pessoais, empresariais também para que se
tenha o comprometimento com a missão, a visão e os
valores organizacionais, assim como a reciprocidade
entre empresa – colaborador e vice versa e, nessas
experiências, percebo como o ser humano está
descuidando-se, ficando cada vez mais voltado para o
outro, fazendo tudo para agradar o outro, demonstrando o
que não é, comprometendo-se com o outro e
descomprometendo-se consigo mesmo.
Os conflitos não elaborados, não harmonizados,
apresentam-se no estado consciente, sob muitas formas,
prejudicando as nossas relações interpessoais,
manifestando-se de forma agressiva, destrutivamente,
sugerindo mau humor, arrogância, fuga da
responsabilidade, insegurança, medo e, por vezes, a
falta de ética.
A desarmonia entre o que pensa, fala e
realmente faz transforma-nos em vítimas de nós
mesmos. Se você se sente de alguma forma assim,
abandonando-se, sem força para prosseguir, é momento de
parar, refletir e buscar a harmonia e a integridade
pessoal. Só assim conquistará a felicidade e a interação
com tudo e todos que nos cercam.
A fidelidade pessoal leva à relacional. Se não
estou coerente comigo mesmo, como poderei ser com as
pessoas que estão ao meu redor?
Para um crescimento pessoal, sugiro:
1- procure a
auto-análise, sempre retomando e revendo os valores
pessoais;
2- retire as máscaras que cobrem o seu verdadeiro ser;
3- reconheça suas virtudes pessoais, olhando para si
mesmo e reconhecendo o seu valor;
4- não busque respostas para justificar a sua
falsidade pessoal;
5- seja integro consigo mesmo, acima de tudo;
6- coloque a humildade e o aprendizado na frente da
arrogância;
7- não se atormente com erros cometidos, aproveite
para crescer;
8- cuide do seu “Deus” interior, da mesma forma que
você cuida com carinho do outro, não O abandone;
9- observe, perceba o ambiente, as pessoas que o
cercam e pense de que maneira poderá contribuir com
seus reais valores;
10- analise a missão, a visão e os valores da empresa
em que trabalha, veja se são compatíveis com você. Se
forem, ótimo! Pratique, então! Se não, pense de que
maneira poderá contribuir com seus valores pessoais;
11- Avalie de que maneira seus valores pessoais
poderão contribuir para uma sociedade melhor, reflita
mais e pratique-os.
O
ser integral deve trabalhar partindo da própria vida,
aceitando-se como é, buscando aprimorar-se, engajando-se
no mundo em transformação, sem perder seus valores
pessoais, morais e éticos.
Lembre-se, fundamentalmente, de que a obediência
externa leva ao envolvimento; agora… a obediência
interna leva ao comprometimento. |