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Aprenda a Quebrar
Regras Já
pensou se você resolvesse seguir ao pé da letra tudo o
que os professores de administração de empresas ensinam
na faculdade? Teria grandes chances de dar com os burros
nágua e de ser mais um empreendedor a ter histórias
mal-sucedidas para contar.
E antes que me linchem pela blasfêmia quero esclarecer
que não tenho nada contra os conceitos pregados pelos
papas da administração de empresas, afinal, sem eles, o
mundo corporativo talvez se tornasse um caos. O problema
reside no fato de se transformar em dogmas regras que
precisam ser adaptadas e até desprezadas de acordo com
as circunstâncias.
Com as regras da comunicação ocorre o mesmo. Aparece
alguém com prestígio no assunto, sugere uma conduta e em
pouco tempo tem gente adotando a cartilha como se fosse
uma oração. Lógico que as regras de comunicação ajudam,
eu mesmo já escrevi doze livros e estou há décadas
repassando-as a milhares e milhares de alunos. Mas, tão
importante quanto seguir as regras para se tornar um
comunicador bem-sucedido é ter a lucidez de saber o
momento certo para quebrá-las e ser mais bem-sucedido
ainda. Por isso, decidi falar sobre essa que considero a
mais importante de todas as regras da boa comunicação -
a arte de quebrar regras.
Você tem não apenas o direito, mas também, e
principalmente, a obrigação de questionar e refletir
sobre cada uma das regras que aprendeu sobre
comunicação. E por mais estranho que possa parecer, se
chegar à conclusão de que a partir da sua característica
e do seu estilo seria mais interessante atropelar esses
"princípios" cristalizados para o comportamento do
orador, com maiores possibilidades de se sair bem, vá em
frente. Você será sempre o responsável pelo sucesso e
pelo fracasso de suas apresentações. Assim, é melhor
agir de acordo com suas próprias decisões a se submeter
ao que outras pessoas imaginam ser mais indicado.
Quebrar regras, entretanto, não significa ser
irresponsável e começar a fazer tudo o que lhe der na
telha. Lembre-se de que se o caminho escolhido não der
resultado você é quem arcará com as conseqüências.
Só como exemplo, vou comentar sobre uma regra que há
muito tempo se alojou no livro de cabeceira de alguns
oradores, e que está relacionada ao uso de recursos
audiovisuais. Desde a época do retroprojetor as pessoas
aprenderam uma regra que ultrapassou a chegada dos
projetores multimídia e reina soberana até hoje. Quando
uma empresa me contrata para orientar seus executivos e
quer ênfase especial na utilização dos recursos
audiovisuais, quase sem exceção, o responsável pelo
evento me diz para ensinar aos cabeças-duras dos
diretores e gerentes que não devem passar na frente do
aparelho de projeção quando estiverem falando. Se eu
perguntasse a ele por que, ou dissesse que essa
observação não seria tão relevante, poderia ser barrado
antes mesmo de começar o trabalho. Por isso, como
resposta, olho com aquela cara de cumplicidade, como se
dissesse, deixa comigo que vou botar essa turma na
linha. Durante o treinamento explico que não há nada de
errado em passar na frente do aparelho de projeção de
vez em quando. Ao contrário, pode até ser uma atitude
útil para quebrar o foco de atenção dos ouvintes que com
o tempo vai ficando viciado. Mas, para não trair a
confiança de quem me contratou e ser coerente com meu
papel de educador, complemento dizendo que muitas
pessoas aprenderam que passar na frente do aparelho de
projeção é uma falta grave, por isso, mesmo não se
constituindo em erro, é melhor evitar essa atitude, pois
poderiam ser criticados.
Minha sugestão é para que você siga as regras, pois elas
ajudam e dão segurança, mas sinta-se livre para, de vez
em quando, falar com as mãos nos bolsos, sentar na mesa,
dizer uns palavrões, desde que essas atitudes contribuam
para o sucesso das suas apresentações. |