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Mantendo uma Empresa de
Pé Meu avô
paterno, que até os últimos anos de vida cultivou a arte
da sedução, me dizia que três motivos levam um homem a
se perder: mulher, jogo e dívida. Essa é uma sábia
filosofia, pois homem quando vira a cabeça por causa de
um rabo de saia não há reza que o faça reencontrar o
norte; da mesma maneira, nunca conheci alguém que
tivesse ficado rico com jogo, mas me lembro de uns par
deles que perderam até as calças em cima do pano verde;
dívida que não seja para investimento só conheço duas, a
ruim e a pior. Questão de bom senso.
Parodiando o Velho Polito, dá para transportar essa
sabedoria do CPF para o CNPJ e identificar alguns
motivos que levam uma empresa a quebrar ou fechar as
portas: manter estrutura para o pico, trabalhar sem
capital e desfocar.
Fico de cabelo em pé quando um amigo empresário, que
vivia tranqüilo com aquele faturamento nosso de cada
dia, abre champanhe para comemorar um excepcional
aumento nas vendas. A primeira pergunta que faço é -
desde quando as vendas passaram a escalar o gráfico
azul? Se a resposta não incluir um período que ateste um
crescimento sustentado e coerente, meu coração dispara.
Aumentar vendas é sempre muito bom, desde que a empresa
não precise montar uma estrutura pesada para atender
aquela demanda pontual. Porque depois que você contratou
mão de obra, ampliou as instalações e adquiriu mais
algumas máquinas, provavelmente, se sentirá na obrigação
de continuar segurando os números lá em cima. Só que
passado aquele momento as vendas voltam à velha marcha,
e a luz passa de amarela para vermelha. Na expectativa
de que o mercado reaja, você vai segurando a nova
estrutura, gastando muito mais do que recebe. Se não
tiver lucidez, coragem, presença de espírito e
iniciativa para desmontar tudo rapidinho, a chance de
fazer com que o boy mude o itinerário do caixa do banco
para o balcão do cartório é de 1 para 1.
As novas instalações ficaram belíssimas, as modernas
máquinas estão super azeitadas, as recepcionistas
ficaram uns docinhos com os novos uniformes. Tudo
prontinho para arrebentar o mercado e deixar a
concorrência andando de muletas. E a grana? Não vai me
dizer que você deixou tudo muito bem montado e agora
pretende andar com borderozinho debaixo do braço para
financiar banqueiro? Última forma, capitão. Sem dinheiro
no bolso esse maravilhoso barco tem tudo para ir a
pique. De vez em quando descontar umas duplicatas para
acertar o fluxo de caixa faz parte do jogo. Mas,
transformar essa prática, que deveria ser eventual, no
único recurso para acertar as contas, é só questão de
tempo para você deixar de dormir ou pegar no sono só com
pesadelos.
Antes de começar a atirar para todos os lados, analise
bem o foco do seu negócio. Para ganhar dinheiro é
preciso ralar de sol a sol. Em algumas épocas é difícil
e em outras praticamente impossível. Por isso, nada de
pôr dinheiro bom em cima de negócio ruim. Faça o
possível para se manter na sua praia. Eu sei que a
tentação é grande, pois, em alguns momentos surgem
oportunidades que se mostram imperdíveis. Só que se esse
canto da sereia exigir novos contatos, abertura de
outros mercados, contratação de pessoal com
especialidades distintas, vai demandar tempo que talvez
você não tenha, desviar sua atenção e se transformar num
verdadeiro sumidouro para aquele seu dinheirinho suado.
Não estou dizendo que novos negócios não devam ser
tentados, ao contrário, devemos estar sempre atentos a
todas boas oportunidades que forem surgindo. Entretanto,
analise muito bem os aspectos favoráveis e negativos.
Seja um crítico severo dos números e muito desconfiado.
Lembre-se de que papel sempre aceita qualquer resultado.
Você é que precisa ser cauteloso, principalmente quando
se tratar de iniciativas fora do seu foco de negócios.
Questão de bom senso e de sobrevivência. |