|
Estamos vivendo um momento histórico muito importante
Vários segmentos sociais lutam pelos seus direitos de
inclusão na sociedade. É o que acontece com as mulheres,
negros, sem-terra e tantos outros excluídos.
Embora não tenham conseguido plenamente sua inclusão na
sociedade, muito já avançaram.
Como esses, há outro grupo de excluídos – as pessoas com
deficiência - que não têm acesso aos direitos que devem
pertencer a todos: educação, saúde, trabalho, locomoção,
transporte, esporte, cultura e lazer.
Leis têm sido criadas para a garantia desses direitos, o
que já é um grande avanço. Mas, apesar delas, percebemos
que nós excluímos as pessoas que consideramos
diferentes.
Precisamos, então, conhecer e reconhecer essas pessoas
que vivem a nossa volta, excluídas por nossa própria
ação.
Se
desejarmos realmente uma sociedade democrática, devemos
criar uma nova ordem social, pela quais todos sejam
incluídos no universo dos direitos e deveres.
Para isso, é preciso saber como vivem as pessoas com
deficiência, conhecer suas expectativas, necessidades e
alternativas.
Como, o que acontece comigo se passa com o outro, que é
diferente de mim? Como é ser pai ou mãe de um garoto que
não enxerga? Como funciona a casa de uma família de
deficientes auditivos? Como é a vida de uma pessoa que
precisa de uma cadeira de rodas para se locomover? Como
uma pessoa com deficiência mental aprende?
Todas essas perguntas nos levam a pensar sobre as
dificuldades e as conquistas desses excluídos e pensar
na possibilidade de concretização dos seus direitos:
soluções simples e concretas para que possam estar nas
salas de aula, na plena assistência à saúde, na
qualificação profissional, no emprego, na prática do
esporte, cultura e lazer.
Isso só se realizará se cada um de nós fizermos a
seguinte pergunta: o que eu posso fazer, como
empresário, como jornalista, bombeiro, professor,
balconista, comerciante, funcionário público,
engenheiro, médico, advogado, dona de casa, motorista de
ônibus, entregador, para contribuir na inclusão? Buscar
respostas para essa pergunta é um aprendizado nem sempre
fácil: exige o desejo de conhecer a realidade dessas
pessoas, de se envolver e agir.
Buscar essas respostas é construir uma sociedade
inclusiva.
SOCIEDADE INCLUSIVA: AFINAL, O QUE É ISTO?
Diante de tantas mudanças que hoje vimos eclodir na
evolução da sociedade, surge um novo movimento, o da
inclusão, conseqüência de uma visão social, de um mundo
democrático, onde pretendemos respeitar direitos e
deveres. A limitação da pessoa não diminui seus
direitos: são cidadãos e fazem parte da sociedade como
qualquer outro. É o momento de a sociedade se preparar
para lidar com a diversidade humana.
Todas as pessoas devem ser respeitadas, não importa o
sexo, a idade, as origens étnicas, a opção sexual ou as
deficiências. Uma sociedade aberta a todos, que estimule
a participação de cada um e reconheça o potencial de
todo cidadão, é denominada sociedade inclusiva.
A
sociedade inclusiva tem como objetivo principal oferecer
oportunidades iguais para que cada pessoa seja autônoma
e autodeterminada. Dessa forma, a sociedade inclusiva é
democrática, reconhece todos os seres humanos como
livres e iguais e com direito a exercer sua cidadania.
Ela
é, portanto, fraterna: busca todas as camadas sociais,
atinge todas as pessoas, sem exceção, respeitando-as em
sua dignidade.
Mas, para que uma sociedade se torne inclusiva, é
preciso cooperar no esforço coletivo de sujeitos que
dialogam em busca do respeito, da liberdade e da
igualdade.
Como sabemos, nossa sociedade ainda não é inclusiva. Há
grupos de pessoas discriminadas, inclusive nas
denominações que recebem: inválido, excepcional,
deficiente, mongol, down, manco, ceguinho, aleijado,
demente...
Essas palavras revelam preconceito, e, através delas,
estamos dizendo que essas pessoas precisam mudar para
que possam estar convivendo na sociedade. O problema é
do surdo, que não entende o que está sendo dito na TV, e
não da emissora que não colocou a legenda; é do cego,
por não saber das novas leis, e não do Poder Público que
não as divulga oralmente ou em braile; é do deficiente
físico, que não pode subir escadas, e não de quem
aprovou uma construção sem rampas. Assim, dizemos que é
de responsabilidade da pessoa com deficiência a sua
integração à sociedade.
O
termo inclusão, diferentemente, indica que a sociedade,
e não a pessoa deve mudar. Para isso, até as palavras e
expressões para denominar as diferenças devem ressaltar
os aspectos positivos e, assim, promover mudança de
atitudes em relação a essas diferenças.
É
nosso dever fornecer mecanismos para que todos possam
ser incluídos.
DEFICIÊNCIA
é todo e qualquer comprometimento que afeta a
integridade da pessoa e traz prejuízos à sua locomoção,
na coordenação de movimento, na fala, na compreensão de
informações, na orientação espacial ou na percepção e
contato com as outras pessoas.
A
deficiência gera dificuldades ou impossibilidade de
execução de atividades comuns às outras pessoas, e isso
resulta na dificuldade de se conseguir emprego. Por
isso, é necessária a utilização de equipamentos diversos
que permitam melhor convívio - dadas as barreiras
impostas pelo ambiente social.
AS PALAVRAS MOVEM MONTANHAS
As
palavras agem sobre as pessoas. Elas podem ou não
discriminar. O que dizemos mostra o que pensamos, o que
desejamos, o que agimos. Palavra é ação. Palavras
diferentes produzem sentidos diferentes.
Por
isso, quando dizemos que alguém é um deficiente físico,
estamos discriminando essa pessoa.
Veja como tudo muda se utilizarmos o termo “pessoas
com deficiência ou pessoa portadora de necessidades
especiais” . Nesse caso, a pessoa não é deficiente, mas
apresenta uma deficiência, o que é outra idéia.
Portanto, uma boa forma de começar a mudar o mundo é
mudar as palavras que usamos. Termos pejorativos, na
atualidade, são punidos severamente pela justiça muito
embora ainda existam deficientes que não conhecem seus
direitos como cidadão.
O
DIREITO DE IR E VIR
É a
possibilidade e a condição de alcance para utilização,
com segurança e autonomia, dos espaços, dos mobiliários
e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes
e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa
portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. A
mobilidade não se refere somente ao meio físico. Hoje o
moderno conceito de acessibilidade envolve o ambiente
físico, como as edificações e os transportes e também o
acesso aos meios de comunicação como o rádio e a
televisão.
A
pessoa portadora de deficiência física que faz uso de
cadeira de rodas, muitas vezes deixa de ter lazer,
justamente por não possuir meio de locomoção adequado,
como táxis e ônibus adaptados - elas se sentem
constrangidas, pois dependem da boa vontade de outras
pessoas, que as coloquem dentro do veículo.
O
artigo 53 do Decreto 3.298/99 determina que as
bibliotecas, museus, locais de reunião, conferências,
aulas e outros ambientes de natureza similar,
pertencentes à Administração Pública Federal, disporão
de espaços reservados para a pessoa que utilize cadeira
de rodas e de lugares específicos para a pessoa
portadora de deficiência auditiva e visual, inclusive
acompanhante.
Na
verdade, não tem muito sentido esse artigo, se a cidade
não possuir transporte digno, e é justamente pensando
nisso, que estamos tentando produzir meios para que
grandes empresas e até mesmo o Poder Público se
sensibilize: pois inserir essas pessoas na sociedade, é
antes de mais nada, resgatar a auto-estima bem como dar
vida e brilho nos olhos e retirar as lágrimas do
sofrimento de todas essas pessoas. |